Os novos rumos de Adriana Deffenti
Fui no show de Adriana Deffenti, Alma Equilibrista, no sábado. E, bah,
tri bom. A moça canta cada vez melhor. Voz afinadíssima, potente quando
precisa, delicada quando convém (e a delicadeza dela também é muito
potente!), baixinha, voz de trovão feminino, enfim, ela faz o que quer.
E encanta.
Adriana está com proposta nova. A começar pela formação: sem violões,
mas com teclados de Luis Mauro Filho, baixo de Paulo Braga e percussão
de Fernando Sessé. Os três músicos são excelentes e pelo que ouvi estão
em plena sintonia com a cantora e suas novas idéias. Idéias que vão além
da música e incluem Adriana lendo textos de sua lavra (deliciosas
crônicas de amor, extremamente bem escritas) e até dançando no palco.
Vários talentos vindos de quem os têm em abundância. Mas os principais
continuam sendo a voz e a interpretação, sempre impecáveis, de uma mulher
de 32 anos que está com um show intenso, recheado de baladas, blues e
outros estilos que balançam o coração, mas falam pra alma.
Alma do público e dela própria, que se equilibra bem entre autores
brasileiros e internacionais. Afinal, a lista inclui David Byrne, Lhasa de Sela, Cole Porter, Tom Jobim,
João Bosco, Nei Lisboa e o compositor-revelação aqui dos pagos, Filipe Catto.
Tem também Adriana tocando em composição própria, Menina do
Jornal, depois da timidez de um violão com mau contato e que insistia em
fazer um barulhinho incômodo. No final deu certo.
Dos dois discos anteriores dela, ficaram Quem te ensinou a Dançar e a já
citada Menina do Jornal (Peças de Pessoas) e El Tungue le (Adriana
Deffenti). De resto, tudo novo. Tudo novo e bom, na voz de quem vai
longe (ela tentará levar seu trabalho à Europa e não vejo motivos para
não conseguir), com sua consistência costumeira e com um brilho
artístico que não deixa dúvidas. Só nos resta esperar que o disco Alma
Equilibrista chegue logo. E que a Adriana vá pro mundo.